Diário de Bordo
A velha (e boa) história

“Be fearful when others are greedy and greedy when others are fearful”
A frase clássica proferida por Warren Buffett já se tornou um clichê para os investidores de Bolsa. Dotado de habilidades muito superiores às do investidor médio, o mago de Omaha sempre soube aproveitar os momentos de tensão nos mercados globais para adquirir ações por preços relativamente baixos. Sua capacidade ímpar de deixar de lado os ruídos nas horas difíceis foi um dos fatores responsáveis pelo seu sucesso como investidor.
Muito provavelmente, você já deve estar cansado de ler e reler as histórias de como Buffett e seu fiel companheiro Charlie Munger construíram o sucesso da Berkshire Hathaway. As lições simples mas extremamente valiosas foram repetidas à exaustão nas mais de 50 conferências e das 55 cartas anuais divulgadas aos seus acionistas.
Buffett sempre foi um verdadeiro “homem de negócios”. Em sua longínqua história como investidor, a estratégia que mais funcionou foi aquela que tratava as companhias como verdadeiras investidas e não simplesmente como ações livres para serem negociadas. Este comportamento permitiu identificar nichos e modelos de negócios vencedores.
Durante a última conferência, ocorrida no sábado (4), Buffett discorreu mais uma vez sobre seus princípios de investimentos. Ao lado de Greg Abel, futuro CEO da Berkshire Hathaway, ele reforçou a qualidade dos negócios operacionais da companhia, além das alocações nas ações da sua carteira. As apostas nas tradings japonesas ainda se mantiveram presentes na carteira e hoje representam cerca de 6% do seu portfólio. A redução do tamanho na participação das ações da Apple estiveram mais ligadas às questões de impostos do que na falta de crença sobre o futuro da companhia e os investimentos ligados aos ativos reais continuam a todo vapor.
Mesmo sem Charlie Munger ao seu lado, falecido no final do ano passado, Buffett ainda manteve um tom de otimismo à frente, e delineou como pontos chave da busca pelo o sucesso no mundo dos investimentos o foco em compreender bem os ativos da carteira, manter a paciência e disciplina ao longo do ciclo e não se deixar cair nas armadilhas de curto prazo.
Aqui na Empiricus Gestão temos um fundo dedicado a perseguir as ideias do portfólio da Berkshire. Do seu início em setembro de 2021 até o último dia 3 de maio, o fundo rende 55,65% contra 44,93% do índice S&P 500 em reais, e bem acima do CDI do período, que acumula uma alta de 38,19%. No ano, o fundo sobe 17,57% e supera com folga os principais benchmarks.
Além das ações da própria Berkshire Hathaway, as maiores posições na Carteira do fundo são: Apple, Bank of America, Occidental Petroleum, Chevron, DaVita, além de três das principais tradings japonesas — Mitsubishi, Mitsui e Itochu. Também estão presentes as clássicas ações da American Express e Coca-Cola. Enfim, é um portfólio diferente da média de mercado que vem gerando excelentes resultados para seus cotistas. Parece que as escolhas de Buffett ainda detêm muito gás à frente.
O comportamento dos mercados em Maio e os ajustes nas carteiras
O mês de maio começou mais quente para os mercados globais. O ajuste no discurso de Jerome Powell inibiu a mudança de expectativas quanto a um possível aumento dos juros neste ano e ajudou a recobrar o fôlego dos investidores. E em conjunto com o payroll mais fraco divulgado na sexta (3), as portas para uma possível queda dos juros à frente voltou a se tornar possível.
Por esses motivos, os principais índices das Bolsas americanas dispararam nos primeiros dias de maio. No mês, o Nasdaq subiu 3,6% e o S&P 500 avançou 2,94%. E dessa vez praticamente não houve descolamento: as bolsas dos países emergentes se destacam após o refresco do dólar. O apetite por ativos de risco e a leitura de que pode haver alguma desaceleração da economia americana, levaram os preços do barril de petróleo para baixo, ajudado pelo alívio na moeda americana. As hipóteses de uma trégua no Oriente Médio também ajudaram a distensionar o preço da commodity.
Aqui no Brasil o Ibovespa caminha razoavelmente bem (+2,02%), após a leva de resultados trimestrais mais positivos. O Banco Itaú divulgou bons números na segunda à noite (6), enquanto a Weg manteve boa rentabilidade, apesar do ritmo de crescimento fraco. Do lado macroeconômico, os investidores voltarão seus olhos para a reunião do Copom que se encerra hoje. Esperamos uma queda de 25 pontos base na Selic, para a casa dos 10,5% ao ano. A expectativa mais comedida se deve à leitura de uma inflação mais resiliente lá fora e a provável manutenção dos juros americanos em níveis um pouco mais elevados do que o esperado anteriormente.
Por fim, é preciso mencionar os efeitos econômicos negativos provenientes da catástrofe no sul do país. As fortes chuvas na região provocaram inundações recordes e limitaram fortemente os acessos para produtos e bens, além de colocar boa parte da população em risco. A situação é precária e todo esforço financeiro dos governos é fundamental para reconstruir a região. Os efeitos nas companhias abertas que detêm operações por lá serão mais bem avaliadas nas próximas semanas, bem como o comportamento dos preços dos produtos da agropecuária, cujo efeito na inflação ainda é uma incógnita.
João Piccioni
Forte abraço,
Apresentamos a seguir a tabela contendo os resultados das principais estratégias da casa, nas janelas mensal, anual, semestral e anual. Caso você deseje conferir algum outro fundo que não esteja presente nesta lista, visite o nosso site: www.empiricusgestao.com.br.
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