Diário de Bordo
Mercado(s) complicado(s)

O final do mês de maio se aproxima e, por mais uma vez, o comportamento da renda variável local destoa mais uma vez diante do resto do mundo. O Ibovespa custa a engrenar, mesmo em meio a onda positiva provocada pelo ânimo dos investidores globais, que levou os índices americanos às suas máximas históricas.
Por aqui, todas as correlações foram quebradas. Da razão ao fundamento, passando pelas análises técnicas e quantitativas, a percepção de que a Bolsa brasileira era uma oportunidade parecia bastante clara no começo do ano. Só mais recentemente, e após o comportamento errático dos últimos meses, é que o investidor local passou a questionar o futuro da taxa interna de retorno (TIR) da Bolsa brasileira, especialmente quando comparada ao apelo dos títulos públicos que pagam inflação mais 6% ao ano.
Entretanto, o que fez a cabeça dos investidores virarem para o outro lado, é exatamente o que não devemos esquecer sobre a renda variável. As expectativas de retornos futuros das ações aumentam à medida que a falta de sentido no seu apreçamento ganha intensidade. Quanto mais indesejadas, maior os seus retornos futuros, especialmente se o motivo deste sentimento não estiver concatenado a falta de fundamentos.
Tomemos, por exemplo, o Banco Itaú. Seus resultados referentes ao primeiro trimestre do ano foram, novamente, melhores que as expectativas dos agentes do mercado. E mesmo sendo uma das maiores e mais bem conduzidas instituições financeiras, suas ações caíram 2% desde o anúncio. O mesmo aconteceu com o BTG Pactual, cujo lucro líquido reportado mostrou crescimento pelo quinto trimestre consecutivo, e as ações caem 14% no ano.
A história da Petrobras em maio certamente afetou os ânimos de quem olha para o Brasil. As trocas constantes de CEOs trouxeram à tona a péssima leitura do peso do governo e a inversão de valores do objetivo de uma companhia aberta (ou qualquer companhia) em gerar lucros aos acionistas.
Os mecanismos de interferência do governo no mundo privado também têm ocupado as mentes dos investidores locais. Seja por conta dos tropeços em relação à reforma tributária, seja pela leitura de que setores rentáveis como o de mineração podem sofrer com a implementação de royalties extraordinários (não há nada no radar, diga-se de passagem…).
E nesse ambiente inóspito, as decisões corporativas que também geram dúvidas sobre o futuro acabam por reduzir ainda mais a confiança. A oferta recente da Suzano pela International Paper, por exemplo, é um caso deste tipo. Estivéssemos em um mercado com maior profundidade e só talvez, a leitura geral sobre uma fusão/aquisição não teria sido tão amarga para os acionistas.
Certamente, posso citar mais uma dezena de casos que sofrem por conta do tamanho da incerteza que popula a mente dos investidores. Minha leitura é que as oportunidades vão se tornando cada vez mais evidentes. Chegou a hora de acumular investimentos em renda variável brasileira, especialmente sob a ótica do médio e longo prazo (e lá vamos nós para o longo prazo…). É preciso ter em mente que a história conta que o quadro de “horror sem fim” acaba se dissipando e, quem sobra, acaba obtendo retornos poderosos.
O comportamento dos mercados em Maio e os ajustes nas carteiras
As Bolsas internacionais continuam a todo vapor. O índice S&P 500 tocou os 5.300 pontos e caminha livremente para atingir novos recordes até o final do ano. A queda da volatilidade abre espaço para que os modelos quantitativos ampliem a parcela de ações nos portfólios. O comportamento errático da renda fixa americana (sim, ela tem oscilado bruscamente), reforça a ideia de que o único jogo disponível são as ações.
E o entusiasmo dos CEOs das grandes empresas, especialmente do setor de tecnologia, têm trazido expectativas positivas sobre os possíveis ganhos de produtividade para a economia que devem ser absorvidos com a maior utilização das ferramentas de Inteligência Artificial. As plataformas que nascerão deste novo “Big Ben” têm potencial para levar as corporações para um novo patamar. Tudo é questão de tempo.
O comportamento dos nossos fundos em maio está dividido. Até aqui, os fundos com posições internacionais continuam a apresentar excelentes resultados. A família dos fundos ligados à tecnologia se destacam (Empiricus Tech Select, Money Bets e Blockchain), seguida pelos fundos que seguem estratégias mistas em ações (WB90 e Money Rider Ações Dinâmico), e pelos Multimercados, Empiricus Money Rider Hedge Fund e Empiricus Wealth Trading, ambos com posições relevantes nos EUA e Japão.
Do lado dos fundos de renda fixa (Empiricus RF Ativo e sua versão de Previdência), até aqui, obtivemos resultados razoáveis para um mês que tem sido bastante volátil sob a ótica da curva de juros brasileira. As idas e vindas da política monetária desencadearam a mudança de expectativas e muitos gestores acabaram derrapando. É um ambiente difícil para a tomada de decisão, apesar dos prêmios em excesso parecerem tentadores. Para termos como exemplo, o título Tesouro IPCA+ 2035 perdia 0,22% no mês.
Por fim, os fundos de ações ficaram para trás. Como citei ali na primeira parte do texto, as perdas mensais da Petrobras e Suzano acabaram por machucar o desempenho do Empiricus Deep Value FIA. Foram escolhas que trouxeram adversidade para o fundo no curto prazo, mas que devem se recuperar ao longo dos próximos meses, especialmente se o discurso da nova CEO da Petrobras, Magda Chambriard, se mantiver ao longo das próximas. Do lado da Suzano, aguardamos uma leitura mais clara da oferta (e sua conclusão), para avaliar as possíveis sinergias e o novo ambiente competitivo. De qualquer forma, enxergamos a empresa como bem conduzida e capaz de trazer bons retornos para seus acionistas à frente.
Apesar de trêmulo, o horizonte para as ações brasileiras é amplo. Se a fronteira dos investimentos globais voltarem a se expandir, o Ibovespa terá uma boa chance de voltar às suas máximas. À conferir…
Forte abraço,
João Piccioni
PS. O resultado trimestral da Nvidia, tema de abertura do Diário de Bordo da semana passada, surpreendeu mais uma vez e empurrou as ações da gigante para cima. Nos últimos cinco dias, elas sobem mais de 17%. A robustez da construção do ecossistema ligado à computação acelerada nos parece muito clara e deve levar o setor de tecnologia para patamar ainda mais elevado. Nossos fundos de tecnologia se aproveitarão dessa mudança transformacional da relação dos seres humanos com as máquinas.
Apresentamos a seguir a tabela contendo os resultados das principais estratégias da casa, nas janelas mensal, anual, semestral e anual. Caso você deseje conferir algum outro fundo que não esteja presente nesta lista, visite o nosso site: www.empiricusgestao.com.br.
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